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'Cheiro de deputado': Bolsonaro leva ao Planalto a prática da chantagem institucional

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O presidente Jair Bolsonaro afirmou, ao longo da semana, que o paletó dele ainda estava impregnado como o “cheiro de deputado”. Não apenas é verdade como sobram exemplos de como o hoje chefe do Executivo ainda se comporta como um deputado federal do baixo clero, onde permaneceu ao longo de 28 anos de Congresso Nacional. O mais explícito desse exemplo, no entanto, é vergonhoso: a tática de chantagem tão comum entre os deputados.



Durante os últimos anos, é recorrente ouvir que os parlamentares fazem achaques contra o governo federal quando o Palácio do Planalto deseja votar projetos. É uma verdade negada por deputados e senadores, porém faz parte da rotina saber que o balcão de negócios sempre esteve presente nas relações de poder. Esse toma-lá-dá-cá era quase institucionalizado. Uma parte dele é legal e faz parte da construção da governabilidade. Outra é criminosa, porém sempre foi tratada como algo a ser remetido para baixo do tapete. Bolsonaro conhece bem como funciona esses “esquemas” e, no afã de ser “novo”, prometeu pôr fim a “isso tudo aí”.



Até aqui, nada novo, concorda? Porém o presidente da República aproveitou a expertise adquirida para elevar as “ameaças” a um novo patamar. Enquanto seus antecessores faziam a negociação de balcão com o represamento de emendas, recursos para bases e cargos, o atual morador do Planalto usa uma tática até então inédita: contingenciar recursos de órgãos diversos para gerar um constrangimento que obrigue deputados e senadores a votarem projetos de interesse do governo, com destaque especial à reforma da Previdência.



Tudo começou com o anúncio de cortes nas universidades e institutos federais. Na sequência, a retenção de recursos chegou à educação básica e às bolsas de pesquisas. Como dar importância à educação permanece em um plano ficcional para a maioria dos brasileiros – que até usa o discurso de valorização, mas evita colocar a mão na massa -, o barulho ainda é menor do que o esperado. Agora até mesmo as Forças Armadas foram alvo de contingenciamento e devem lidar com um orçamento menor que o previsto (sob a mordaça de ter dado apoio integral à ascensão de Bolsonaro ao posto). Não deve parar por aí. O governo está indo para o tudo ou nada com um único foco: aprovar as mudanças no sistema previdenciário a qualquer custo.



Coube a um dos herdeiros de Bolsonaro explicitar a estratégia de guerrilha adotada pelo governo para sair vitorioso no Congresso Nacional. Em um tweet, Eduardo Bolsonaro foi claro: “Não houve corte na educação, houve contingenciamento. Isso significa que o dinheiro das universidades ainda está lá, guardado. Porém, haverá um fôlego melhor para a educação caso a Nova Previdência seja aprovada”. Ah, mas sem reforma não tem dinheiro! Nada é tão simples assim e nem o governante mais otimista acreditaria que uma mudança como a proposta passaria rápido pelo parlamento. Mesmo que a ligação exista, não dá para correlacionar com tamanha frieza, como propõe o Planalto.



Além do “cheiro de deputado”, Bolsonaro trouxe mais coisa do passado dele na Câmara. E conseguiu evoluir com uma chantagem elevada a outro nível. Institucionalizada e sem pudor.

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